Ela estava usando uma capa de chuva enorme, sobrava capa, melhor assim, nao me molho, pensava ela. A galocha era bem transada, dessas marcas famosas de sapatos de plásticos.
- Droga que chuva! será que nao vai passar? abriu o guarda-chuva com estampa de oncinhas, bom pelo menos ele é grande, resmungou, eu ADORO a chuva.
Trabalhava num posto de gasolina, de frentista, usava o uniforme por baixo para ganhar tempo,estava sempre atrasada.
Descia a rua de paralelepípedos, uma rajada de vento bateu em seu rosto, puxou o capuz para nao molhar seu cabelo, mesmo assim sentiu uns respingos no rosto.
Andava devagar com medo de escorregar, andava quase como uma vózinha, ela riu por dentro.
Quando ela menos esperava, levou um escorregão tão grande que caiu sentada na sarjeta.
Ficou sentada de cabeça baixa. Não ligou quando a chuva molhava seus cabelos ruivos, porque com o tombo o capuz da capa que estava largo, descobriu toda sua cabeça. Ela nem ligou.
Do outro lado da rua um homem alto, de terno e gravata, olhava tudo aquilo extasiado e ao mesmo tempo preocupado. - Será que ela torceu o tornozelo? logo ele percebeu que não porque ela se ajeitou no meio fio. Ruiva do jeito que ele sempre sonhou. Como num filme em câmera lenta ele atravessou a rua, não se incomodou quando a chuva fria batia em seu rosto e molhava seu terno. Olhar fixado nela. Ela levantou devagar sentindo a chuva que entrava por dentro da capa, num movimento lento, tirou a capa e balançou seus cabelos e fixamente também ficou olhando para aquele homem que vinha em sua direção. E tudo aconteceu, o inevitável aconteceu o impossível, foram ambos na mesma direção olho no olho, seus corpos se aproximaram e ela sem ligar para a chuva cada vez mais forte, disse: - Por que você demorou tanto estava te esperando, te espero há 25 anos. Simplesmente encostou sua boca na dele e se beijaram...um beijo molhado mas quente, quente de desejo. Ele respondeu: - Te procurei por tantos lugares mas agora te encontrei.
Eles moraram perto da casa da minha tia. Falam que quando chove um homem e uma mulher correm na chuva como duas crianças, a ultima vez foram vistos correndo com um menino ruivo junto com eles.
Nenhum comentário:
Postar um comentário